Muitos podemos afirmar que o bom de estar nesse ambiente, normalmente é a companhia que se tem. Embora não seja totalmente falsa essa afirmação, discordo que seja a melhor coisa que encontramos nos bares.
É o espírito do frequentador de bar que vai determinar seu desejo de navegar neste espaço. Ninguém prepara pauta para uma mesa de bar, ali a conversa corre frouxa. O assunto sai a bel-prazer dos fregueses.
Esta semana, entre uma dose e outra, conversa entre amigos,exprimíamos sobre o quão
A dose...
Donald Draper é o protagonista de Mad Men, um seriado sobre o cotidiano do próprio Draper e da grande agencia publicitária – Sterling Cooper – em que ele trabalha na Nova York dos anos 60.
Donald Draper é um homem seco. Árido. Confiante. Introspectivo. Conciso. Extremamente bem sucedido na profissão e com as mulheres, para desespero da sua, Bety, uma loira esguia com ares de Grace Kelly.
Todos ainda temos um amigo, um tio, um pai à la Draper. Geralmente é um macho de gerações anteriores, que sabia tocar a boiada dos seus problemas em silêncio, sem a histeria mimada de hoje. Agora, as mulheres que procuram em nós os velhos portos firmes, confiáveis, onde atracar com segurança, estão encontrando machos perdidos, acuados, que choram tantas dores ao som de pagodes agudos e sertanejos melodramáticos quanto elas. Pior ainda, somos nós que compomos as letras!
Revistas e livros há certo tempo dizem que macho anda perdido, e é fato! Nós lidamos agora com os contras de termos dito que tudo bem, estamos aqui, nos educaram melhor, não somos Neandertais, podemos discutir relação, o que você quiser. Sim os contras. Claro que há prós. Alguns pontos sem dúvida a civilização ganhou. A casca de macho silencioso que envolve os Donald Drapers do planeta às vezes é só um disfarce para cinismo, desconsideração, machismo, egoísmo. Há um lado bom em quebra-lá. Inclusive para nós Homens.
O problema é que de francos passamos a fracos, a ponte de invariavelmente perdemos a polaridade com as mulheres. Se você fica muito parecido com a namorada, ela contará, como Amy Winehouse, you should be stronger than me (você deveria ser mais forte que eu). E lamentará como o namorado anterior, apesar de manter as mulheres à distância como um cactus, parecia bem mais...homem. Mais Donald Draper, ela suspirará prolongamente, se espectadora de Mad Men.
Matar o machismo sem matar o macho. Ser gentil sem perder a pegada. Firme sem cair na grosseria. Nada fácil rapaziada. Mas vamos lá que meu Whisky acabou!
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