sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quando você crescer!

Vi um vídeo esta manhã, que me fez uma pergunta, quando eu era criança, o que eu queria? 
Atento a esta pergunta, tentei responder a questão, no inicio foi difícil realmente lembrar dos sonhos daquela criança, até que percebi que na verdade ainda existe muito mais dela do que eu podia imaginar. Mas vi que muitos caminhos se tornaram tortos e muita coisa que aquela criança não queria, aconteceu. 

Então no fim percebi algo, que me lembrou de uma musica que acho incrível, a sua letra composta por um cara que era muito além da sua época, de tal maneira que talvez mesmo morto, esteja além desta.

Me fez perceber que é sempre a mesma jogada.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Garrafa pela metade

Meu irmão e um amigo abrem uma garrafa de uma bebida qualquer, na noite onde vêem seu time jogar, uma tradição para os dois. Logo na manhã seguinte, um dia que seria como outro qualquer. Seria, não fosse um carro apressado e desatento que acaba nesse momento interrompendo essa velha tradição dos dois torcedores. Fica no balcão a garrafa, com algumas doses que sobraram da noite anterior, junto as tantas lembranças das derrotas e das vitórias que ambos cantaram e gritaram juntos. Da amizade eternizada nos últimos goles.

Por isso eu prefiro a garrafa que está pela metade. A lacrada traz o tão esperado sabor que encontrará minha boca, o amargo que me dá prazer e me satisfaz. Mas ela não tem uma coisa, algo que torna o beber tão complexo e importante, falta à garrafa lacrada boas histórias, talvez até as ruins, mas nela ficam cravejadas. E como eu já disse uma vez, não se deve começar uma história, sem terminar outra.

A metade vazia da garrafa é preenchida por uma gama de acontecimentos, risadas, velhos e novos amigos, paqueras, mentiras, foras, sexo. E é por isso que ela tem mais valor, quanto menos bebida tem em uma garrafa, mais vida ela tem. Dentro da garrafa se misturam memórias e álcool e por isso que às vezes perdemos um pouco, dos dois. Por vezes esquecemos o que aconteceu, se deixamos cair o copo ou não, quanto falamos enquanto bebemos, mas a garrafa sabe.

Ah, se as garrafas pudessem falar! Se algum geniozinho inventasse uma forma delas nos relatarem o que aconteceu. Eu acharia tantas carteiras perdidas, números de celulares não anotados, descobriria tantas mentiras sobre as “quase modelos da Victoria´s Secret” que meus amigos ficavam. Seria engraçado desmascará-los com os depoimentos da garrafa, porém, ficaria em segredo, somente um motivo para eu sacanear, não entregaria meus amigos por aí. Se esquecêssemos do que aconteceu, bastava perguntar à garrafa e ela iria contar tudo.

Contar tudo. Isso também poderia ser um perigo. E se as mulheres ficassem melhores amigas das garrafas? Totalmente improvável. Quando o seu Geraldo acordasse, a dona Ana já saberia de tudo. Não teve reunião, happy hour com os investidores japoneses é o caralho e quem é Cláudia? Até o pobre Geraldo conseguir reunir imaginação para explicar tudo, a garrafa já teria arruinado seu casamento. Pensando bem, as coisas como são estão perfeitas. Um bom whisky, algumas memórias e a garrafa pela metade, calada.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Cofre do Futuro

Vejo no telejornal uma reportagem interessante. Mas é claro que não vou contá-la de imediato. Vou, primeiro, dar algumas voltas indispensáveis para só depois contar da tal reportagem. Antes, preciso dizer que costumo falar a quem me ouve que não cometa a bobagem de guardar no cofre do futuro os seus sonhos na vida. 

Explico. Vivemos numa sociedade interesseira, onde não prepondera a busca pela realização pessoal, pela felicidade. O que prevalece, isso sim, é a busca pelo dinheiro, pelo ter. Em razão disso, as famílias vivem enchendo os ouvidos dos filhos para que tratem de fazer um vestibular para alguma atividade que pague bem, que dê bom dinheiro, ainda que não realize, pessoalmente, a felicidade do jovem. Importa ter, não importa ser.

E muitos jovens caem nessa arapuca da infelicidade, silenciam seus sonhos, seus desejos, suas aptidões mais imediatas, para sair por aí a exibir diplomas inúteis e realizar trabalhos de que não gostam, tudo pelo dinheiro. E, com isso, deixam para o futuro, para depois da aposentadoria, só aí, fazer finalmente aquilo de que mais gostam. É o tal cofre do futuro.

Só que quando esse cofre for aberto, já nos adiantados da vida, ele estará sem cor, sem graça, murcho, morto... É tarde. Melhor é casar cedo na vida, com o trabalho, com a profissão que é a nossa paixão. E todos temos uma dessas paixões. É tolice dizer que o jovem não sabe de sua vocação. Sabe sim: ele fica é com medo de revelá-la aos pais ou de ser, mais tarde, chamado de trouxa, de pobre, etc, etc.

Agora digo o que ouvi e vi no telejornal Hoje. Foram "velhas" senhoras, idosas mesmo, tirando a carteira de motorista pela primeira vez, velhas, bem velhas. Por que tão tarde? Porque foram casadas durante muito tempo e os maridos não lhes deixavam dirigir, os "machinhos".

Mas agora, viúvas, livres e soltas para viver, liberadas para a vida, vão em busca da carta de motorista. É isso. Essas senhoras ficaram quietas durante muito tempo, com seus sonhos e aptidões guardados no cofre do futuro, não digo que esperando pela morte do marido, mas ganhando a liberdade após essa morte.

Que triste. Mas é, ainda hoje, um caso comum. Muitos maridos até deixam as mulheres dirigir, mas não deixam muitas outras coisas... E elas concordam, silenciam, não reagem. A esperança dessas mulheres é a viuvez. Sinto muito, é duro dizer, mas é isso e é verdade. Você ai, por suposto, não tem nenhum sonho guardado no cofre do futuro, pois não? E aquele Whisky que você adora tomar, mas guarda ai na estante esperando uma ocasião especial? Cuidado, pode acabar pelos outros bebe-lo, a ocasião especial ser sua ausência...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Teste de Amor

Li um livro de um psiquiatra americano, de renome mundial... Inicia o seu livro dizendo que quando o cliente entra em sua sala e ele não vai com a cara do cliente, ele não o atende. Achei formidável. Em todo relacionamento, inclusive o profissional, se houver um alicerce de simpatia, certamente tudo flui de forma mais natural.

O autor chama-se Gordon e seu livro: "Velho muito cedo, sábio muito tarde". Recomendo. Médico no Vietnã, muitas histórias para contar. De dentro e fora de sua família, muitos momentos pesados.

Gordon conta em seu livro, que quando ouve uma mulher dizendo-se extremamente apaixonada, dessas histéricas que dizem que vão morrer se não ficarem com um cara, faz a ela a seguinte pergunta: "Você tomaria um tiro no lugar desse sujeito?". Repasso essa pergunta a todos. Você tomaria um tiro no lugar do seu amor? Da boca pra fora não vale. Seja sincero com você mesmo...tem que responder com as vísceras.

Mas não é bem disso que quero falar, o que quero é dizer que o psiquiatra Gordon não acredita em recuperação de pessoas depois de um relacionamento falido. Você sabe que num relacionamento terminado sempre um dos dois, ele ou ela, foi um pouco mais vilão. Não digo que um deles tenha sido santo, isso não, sempre a culpa se dilui entre os dois, pesando um pouco mais para cá ou para lá.

Pois bem, o vilão vai iniciar um relacionamento novo, e mesmo que não seja vilão, vai se relacionar de novo. E vai levar para o novo relacionamento os mesmos vícios, as mesmas características de personalidade que inviabilizaram o anterior. E quanto mais relacionamentos, pior... Ninguém muda, afirma o psiquiatra.

E não é o que vivo dizendo por aqui? Ninguém muda. E a coisa está tão séria que quando um deles tem um pouco mais de dinheiro ou de patrimônio, ao casar “exige” um contrato especial de núpcias... O que significa isso? Que um dos dois está entrando numa relação de “amor” sem amor, com sérias desconfianças, isso sim. Ou você faz contratos especiais quando confia numa pessoa? Faz nada.

Agora, uma coisa é certa, só louco inicia um relacionamento no escuro. Não espere mudanças, ele não mudará.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Do inicio ao fim.

"Nunca tenha medo de tentar algo novo. lembre-se de que um armador solitário construiu a Arca e um grande grupo de profissionais construiu o Titanic". Foi assim que li as veríssimas palavras de Luiz Fernando Veríssimo.

Uma vez ouvi em um filme que: "Quando chega ao fim, você passa a pensar no começo". Nada mais real. Eu não morri para ter certeza, talvez tenha chegado perto disso algumas vezes, ou não. Mas finais e inícios são constantes. Como quando você aprendeu a trabalhar em um computador, e fica lembrando da época em que você ficava "procurando" as teclas para digitar. Ou ainda (no meu caso) quando precisava de uma máquina de escrever para fazer um trabalho. Quando começou as aulas de inglês e as suas primeiras frases. Quando pegou seu irmão menor no colo e agora ele esta por ai namorando. Quando você contava os dias para completar18 anos, e agora lembra com nostalgia seus 15. E assim é com tantos outros aprendizados e momentos.

"Se eu soubesse antes, o que sei agora... - faria tudo exatamente igual?" Sabiamente aprendemos que, você sabe mais hoje que ontem. Então mais sábio entendemos que quase ou nada sabemos, e que talvez, apenas talvez, no fim, todo o inicio faça sentido.

Você simplesmente vê que poucas coisas fazem sentido, e isso faz todo o sentido do mundo.
Entende que você vai fazer coisas certas que vão dar errado, e fará coisas erradas que darão certo. Que o bem feito pode ficar incompleto e o mau feito, perfeito.Que vai fazer muito e faltar, e então fazer pouco e sobrar. Que coisas que você faz de conta que não gostou, foram boas. E as que faz de conta que gostou, detestou.

Quero apenas entender que a maioria dos seus planos para a vida vão mudar no caminho que o caminho também vai mudar. Que minha vida tomará rumos certos e incertos. E não posso fugir disso, tanto quanto não poderei fugir da morte. E se eu aprender isso, poderei fazer tudo, mas o resultado só vou saber no fim.


Quero aprender para  um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão. Que amor existe, que vale a pena se doar as amizades e as pessoas, não importa a reciprocidade. Que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim, e que tudo, literalmente tudo, valeu a pena.

Principalmente cada dose de Whisky que me foram servidas.