domingo, 1 de abril de 2012

Filósofo cabeça chata

(...antes o primeiro gole)
Há certo tempo li uma reportagem, sobre um pseudo artista de cidade grande, outro imigrante nordestino que tentava a sorte longe do sertão. E este não virou humorista para chamar a atenção. Pregava cartolinas nas ruas da cidade com reflexões filosóficas, e muitos reduziam o passo para ler. Frases como "O mais impressionante nos fracos é a necessidade de humilhar os outros para sentirem-se fortes" faziam parte do acervo do cabeça chata.

(...segundo gole)

Durante uma entrevista repórter o indaga: "quanto o senhor arrecada em moedas em média por dia?". O artista responde: "de 90 a 100 reais". Surpreso o repórter pergunta "o senhor sustenta sua família com esse dinheiro?". O nordestino arremata: "não tenho família, gasto tudo nos cabarés". Indignado com a resposta o repórter quis saber o por que. E eis a surpreendente resposta:

"Nunca consegui amar uma mulher, por que o ser humano ama apenas o corpo, a forma. Quem ama a alma é Deus, e eu não sou. No puteiro amo vários corpos. Se um dia eu amar um corpo e uma alma na mesma pessoa, me sentirei um Deus, e provavelmente serei feliz".

(...terceiro gole)

Esta resposta me fez pensar sobre esses relacionamentos, e além. Por mais que as pessoas neguem, é fato que a admiração esbarra na forma. Seja um mulher, um belo carro, casa, etc. E essa afirmação do filósofo cabeça chata, que também é compartilhada por outros filósofos renomados: você só descobre o verdadeiro amor após conseguir superar a visão do corpo, da forma. E ai você estará pronto para se sentir semelhante a Deus. Enquanto isso, vai continuar tentando refletir em outra pessoa suas necessidades a fim de satisfazê-las. 

Mas deixando a filosofia de lado, meu Whisky acabou!


(créditos do texto ao meu amigo Toniazzo)

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