Acabei de ler uma frase e recordar uma história.
Essa é de um senhor perto dos 60 anos que aguardava por um trem em uma estação de São Paulo. Era sábado fim do dia, poucos passageiros por ali, o sujeito compra um jornal, procura por um banco e senta-se. Lia tranqüilamente, sem ruídos, transtornos de qualquer sorte. Até que chegou outro cidadão, esse com duas crianças, e sentou-se no banco ao lado. Acabara o sossego do leitor do jornal.
Os moleques estavam impossíveis, corriam, gritavam, batiam no jornal, pisavam em seu pé, um inferno. Suportava como podia. O pai nem aí, olhava para o nada e parecia nada ver. A impaciência do leitor foi aumentando e ficava ainda maior vendo que o pai dos meninos não os repreendia, não lhes ralhava, parecia não ver que os guris atormentando o senhor do banco ao lado.
Então o previsível aconteceu, o homem perdeu a paciência. Virou-se para o vizinho do banco e fez-lhe uma observação insinuosa:
- Parece que os seus meninos estão cheios de energia... – Na verdade, ele quisera dizer que os meninos estavam diabólicos.
O pai parece que acordou de um transe.
Olhou para o senhor do jornal, com os olhos imprecisos, vagos, balbuciou:
Olhou para o senhor do jornal, com os olhos imprecisos, vagos, balbuciou:
- Ah, os meninos, sabes companheiro, estou resolvendo, não sei o como explicar a eles, a mãe deles acaba de falecer no hospital...
E naquele instante preciso, o leitor frenético transfigurou-se, tomado pela compaixão... E não mais percebia a inquietação das crianças...
Como declarei no inicio, recordei-me dessa historia quando li esta frase, depois de um debate com algumas pessoas sobre o assunto: “A forma como escolhemos olhar para o mundo cria o mundo que vemos...”
Ou seja, o mundo atrás da sua porta, não é o mundo atrás da sua porta, é o mundo nosso aqui, aqui dentro do nosso peito.
Somo condicionados desde crianças a reagir de um determinado modo a estímulos. Porém reagiríamos em outro formato, se o formato da nossa educação fosse outro, e essa afirmação por si, se torna circular e infinita. Tudo e nada podem ser. Poderíamos, não somos, somos? É facultativo deixar de ser. Ser feliz, que tanto depende dessa arte, a arte de mudar.
Somo condicionados desde crianças a reagir de um determinado modo a estímulos. Porém reagiríamos em outro formato, se o formato da nossa educação fosse outro, e essa afirmação por si, se torna circular e infinita. Tudo e nada podem ser. Poderíamos, não somos, somos? É facultativo deixar de ser. Ser feliz, que tanto depende dessa arte, a arte de mudar.
Se trocarmos as lentes com que olhamos a vida, mudar-se-ão todas as coisas atrás de nossas portas, ou em torno de nós.
E vamos combinar? Andamos com as lentes embaçadas há muito tempo!
E vamos combinar? Andamos com as lentes embaçadas há muito tempo!
...Fim da dose.
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