quinta-feira, 28 de junho de 2012

Seu espelho mente?

Tenho uma história para contar, mas primeiro, é claro, tenho que dar umas voltas.

Nós humanos somos "bichos" especiais. Você pode agora, por exemplo, dar-se por infeliz por que se acha feio, feia. Olhar-se no espelho e não gostar do corpo que vê, acha-lo gordo, muito magro, muito baixo ou alto, o que for, acha-lo em fim, sem graça. Mas não deve esquecer que existe uma diferença entre o que o espelho mostra e o que você vê...

Pode também, e em sentido contrário, ver esse mesmo corpo, lindo, bonito, uma peça de ourives... Não virá do espelho essa "visão", mas sim do seu conceito sobre si. Não somos, mais das vezes, o que pensamos ser, mas podemos ser muito mais do que somos, depende do modo que pensamos.

Pronto já dei as voltas necessárias. Agora quero dizer o que acabei de ler, a história de um sujeito que gerou uma matéria que achei incrível.

Esse homem, quase na casa dos 60 anos, passou por muitas e nada boas na vida. Por um acidente domestico, acabou ficando com deformidades no rosto, tinha quatro anos. Foi-lhe muito difícil a vida de criança e sua adolescência. Alvo de chacotas, risos estúpidos, e tantas outras que muitos de nós já vimos e ouvimos falar, que faz parte do dia-a-dia de jovens com pouca, ou nenhuma educação.

Esse homem é hoje uma pessoa totalmente realizada, de bem com a vida, apesar de tudo. Conta das suas dificuldades em palestras. E costuma dizer uma frase (claro tinha que haver uma frase para me trazer até aqui). Esta: "O maior preconceito do mundo é o que a gente sente de nós mesmos!". Irretocável.

De fato, somos os maiores críticos e adversários de nós mesmos. Se sou "feio" e vejo isso no espelho, o que importa? Poderia nada me importar se eu não me importasse com os outros. Sofro por pensar no que os outros podem pensar de mim. Estupidez.

Temos largos preconceitos sobre nós mesmos, por causas reais ou imaginarias, que é pior. Uma causa real? Posso ter 'três' orelhas, e daí? Vão desdenhar de mim? Aos adolescentes, direi que ouço melhor que eles...Faço isso? Não. Não me aceito, quero e preciso da aprovação dos outros, vivo pela cabeça dos outros, sofro, sou infeliz e não me dou conta que sou um refinado estupido em não me aceitar. E não se aceitar não significa não fazer esforços para crescer como pessoa - como pessoa, e não como manequim dos outros...

Vocês podem pensar, é muito fácil falar, e tens razão. Mas enquanto apontamos o dedo acusatório para nós mesmos, estaremos perdidos. De fato, somos os mais preconceituosos contra nós mesmos.


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