Para a minha decepção, quase todas tem a mesma resposta. Mas não me decepciono por que as respostas divergem da minha ótica, mas por que é frustrante ver todos pensando a mesma coisa. Vocês já conhecem a minha caixa de sapatos onde guardo as minhas frases, e lá guardada tem uma que sou religiosamente adepto: "Quando todos estão pensando da mesma maneira, alguém não está pensando". Bem a maioria diante da minha pergunta, balança a cabeça, joga os cabelos pra cima, respondem de tudo um pouco, mas o que mais aparece é: o sentido da vida é ser feliz.
E aqui estou de volta ao assunto felicidade, por que entre essas minhas doses, encontro no bar um velho amigo, esse estudou psicologia, não acabou o curso, e tomou o rumo da sua vida profissional para caminhos mais, digamos...esotéricos. Onde esta até hoje com seus 37 anos.
Reencontro o amigo e lhe pergunto:
- E aí Índio velho, como vão a lida?
- Lutando - ele responde.
- Sim, mas que tipo de luta?
E então ele iniciou um longo e interessante discurso sobre a vida, sobre a sua luta para encontrar sentido nas coisas. Aquelas conversas de bar. Bah, se um psiquiatra passasse por nós, certamente levaria os dois...
Pois bem, por acaso,
Por que estamos sempre condicionando felicidade ao ter? A não perder e sempre ganhar. A sentir um prazer especial. A dispor de algo físico ou emocional que nos justifique momentos felizes. E na noite anterior, eu e meu amigo, um tanto embriagados havíamos conversado sobre isso. Sobre essas raízes da infelicidade humana. E que sempre condicionamos a nossa felicidade ao ter ou algum motivo especial.
Cito um exemplo: Você toma coragem e vai declarar seus sentimentos a uma pessoa, no fim da declaração descobre que seus sentimentos não serão correspondidos. Nesse ponto você tem dois caminhos a seguir. O de ficar triste pela decepção de não poder ficar com a pessoa que você sentia algo, e talvez nunca mais criar coragem de se declarar para alguém. Ou o de saber que você transpareceu os sentimentos que tinha guardado em seu peito, e você tem consciência de que nem sempre será correspondido e fez o que devia fazer, e então sente-se em paz consigo.
E a felicidade - e quem não sabe disso? - só pode estar em nossa cabeça, e não precisa, não deve precisar, de razões especiais. Cabeça e mente em paz, aí esta a felicidade. Quem a tem? Por isso somos tão infelizes, precisamos sempre de um motivo, de algo, de alguém. Quando na verdade precisamos de nada, além de uma cabeça sem motivos, apenas em paz. De fato, é muito fácil ser feliz. Mas é tão difícil...
Um comentário:
Uma dose e tanto, cara! Quão intrigante é pensar sobre isso, a existência, a vida, a felicidade... não é uma especialidade do homem lidar com o impalpável, Daí a confusão e negligência a respeito desses assuntos. Para mim o tal "sentido da vida" está em fazer bem às pessoas com quem convivemos, viver quantos bons momentos forem possível e procurar, agarrar e incorporar o conhecimento.. porém tudo isso vem das pessoas. Os algos e alguéns são parte desse processo sensacional que é viver. Concorda? ;)
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