sexta-feira, 20 de julho de 2012

As verdades que os homens contam!


Júlio tinha fama de bagunceiro. Desde pequeno, sua mãe lutava para fazer com que ele arrumasse a cama todas as manhãs, antes de ir para a escola. "Mas que menino desorganizado" - dizia ela. Perdido em seus pensamentos, Júlio não queria arrumar a cama de jeito nenhum. E foi assim durante anos. Júlio foi crescendo, chegou até a faculdade e começou a namorar Roberta, que tinha mania de organização. Casaram em uma linda festa, tudo minunciosamente detalhada e executada conforme Roberta havia planejado.

Apos seis meses de casados, Roberta que ainda não tinha conhecido bem o lado bagunceiro de Júlio, começou a ficar cansada de não encontrar nada no lugar. Por mais que ela pedisse, ele parecia não ouvir e pouco se importava se a casa estava bagunçada. Roberta resolveu conversar e dar um basta na situação. Ou Júlio dava um jeito, ou ela daria um fim no curto casamento.

- Júlio precisamos conversar seriamente.

- Meu amor, adoro sua voz sabia?

- Estou falando sério, temos um problema a resolver.

- Posso cheirar seu pescoço antes? Amo seu perfume, é como se eu respirasse vida.

- Não, não pode. Escuta só, estou cansada. C-A-N-S-A-D-A de mandar você arrumar as coisas e você me ignorar completamente! Não aguento mais chegar em casa e encontrar a cama do mesmo jeito, como se não tivesse pedido para você arrumar antes de ir pro trabalho. E as taças de vinho de ontem? Ainda estão no mesmo lugar, Júlio! Isso é um absurdo, assim não da para continuarmos casados.

- Calma amor, deixa eu explicar, é o seguinte...

- Não tem explicação. Nenhuma desculpa sua vai colar Júlio.
(uma pausa para lembrar que ela chamou ele pelo nome inúmeras vezes, provando que estava realmente zangada).

- Você não quer ao menos ouvir o que tenho a dizer?

- Seja breve...

- Sabe por que eu deixei as taças de vinho no mesmo lugar?

- Não e acho que nem quero saber.

- Vou te falar assim mesmo. Deixei por que na noite de ontem fizemos 6 meses de casados. Seis meses desde que a minha vida mudou da água para o vinho. São 180 dias desde que percebi que não vou estar mais sozinho. E eu queria viver esse momento cada segundo possível. Queria acordar, olhar para aquelas taças, ver o restinho de vinho no fundo, ver o batom marcado onde sua boca tocou. Ter certeza que não foi um sonho, pois as vezes ter você comigo me faz duvidar da realidade o tempo todo.

- E a cama? Por que você nunca arruma a cama? (aqui ela já não o chama mais pelo nome)

- Por que ela é nosso lugar sagrado. Onde deitamos, dormimos, conversamos, esquentamos os pés um do outro, pensamos no futuro, nos amamos. Onde vamos passar 1/3 de nossas vidas juntos.

- E isso é desculpa pra não arrumar?

- É que gente feliz não arruma a cama. Cama bagunçada tem muito mais vida. Quem esteve nela sabe o que aconteceu só de olhar para os travesseiros virados, o formato do edredom amassado. A gente olha e sabe onde cada um esteve, sente o calor trocado. Mesmo que tenho sido só uma noite de sono profundo, a gente lembra. Lembra que o sono foi bom, que o outro estava ali. E arrumar a cama cedo, faz que tudo isso suma num piscar de olhos, sabe?

- E por que você arrumou a cama algumas vezes quando eu não morava com você?

Essa é a resposta! Você não estava aqui sempre. Sem você dormindo aqui, as noites era infelizes. Eu arrumava a cama para esquecer que dormi sem você.

- Acabei de me lembrar de uma coisa.

- O que?

- Nem tomamos o café da manhã ainda, vamos?

- Vai preparando que eu vou arrumar a cama como você queria.

- Não arruma não, deixa assim. Olhei melhor e vi que ela esta do jeito que eu quero.



(testosterona blog)

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