Poucas coisas me deixam mais azedo do que ver a auto-depreciação. Uma doença terrível, que podia ser denominada como "Síndrome do coitadinho". Um sentimento que veda a felicidade. Nas situações mais dramáticas, esse sentimento o persuade ao olhar apenas para dentro ao invés de olhar ao horizonte. Sussurra, coisas ao seu ouvido, e sua vida passa a ser uma peça de teatro melodramática.
Essa síndrome ataca, e te faz lembrar o quanto você é rebaixado, ofendido. Importante, mais ainda assim desprezado. Incrível mas obscuro e ignorado. Hábil, mas não reconhecido. Ilustre, mais invisível.
Se eu fosse dar uma cor para representar a auto-depreciação, seria o roxo, como um hematoma. A síndrome do coitadinho é como uma mancha roxa, um sinal alertando que algo esta errado a um nível mais profundo. Temos hematomas quando sangramos por dentro.
Uma maneira horrível de morrer. Hemorragia interna. As vezes indolor, e quase sempre invisível, traiçoeira.
E um pequeno gotejar minusculo pode tornar-se uma inundação fatal. Um sangramento sem controle.
A Síndrome do Coitadinho, é a hemorragia silenciosa da alma. Você não vê, e muitas vezes não sente a força da vida fugindo, até não estar mais ali. Então vem o famoso jargão, "é tarde demais".
Essa enfermidade penetra nas entranhas do leal empregado não promovido, do filho aprisionado pelas normais dos pais, da pessoa com um amor não correspondido, de quem foi excluído no seu circulo social. Então a mente é inundada por um sentimento de auto piedade: "ninguém se importa com você, encare!".
Então vem a fase terminal dessa terrível doença. Sorrisos em seu rosto, apenas os de ironia para com a sua vida. Sua família é um desastre, você teve um mau casamento, você é fraco de mais, gordo demais, tem dividas demais, escolheu a profissão errada, não tem talento pra nada, é feio, muito branco, muito escuro, muito baixo, tem pé muito grande. Desculpas, justificativas, pretextos.
Pretexto que mascaram um sentimento de dúvida. Convenhamos, você não nasce com um complexo de inferioridade. Isso se desenvolve com o tempo. E como na realidade ninguém é inferior por natureza, essa síndrome tem cura. Injetando boas doses de auto-confiança.
Já lhes ocorreu que o fracasso pode ser seu melhor professor? Quantas histórias de pessoas que tiveram vitórias incríveis e se originaram de desastres pessoais você conhece? Poucas, e talvez nenhuma vitória, não sucedeu algum tipo de fracasso. Tornaram-se notáveis por que tinham confiança em si. Por que sabiam que podiam mais, que tinham capacidade. Não eram diferente de mim, ou do você. Não em sua natureza ao menos. Mas certamente na forma de pensar sim.
Se você sentir que esta com sintomas desta síndrome, ainda pode se livrar dela. Acabe com as desculpas, não culpe o mundo. Não culpe ninguém. Não seja passivo. Ou certamente sua alma sofrerá uma hemorragia. E você morrerá, sem uma única gota de alegria.
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